terça-feira, 9 de setembro de 2008

A Escola Alemã

A preocupação com a educação de crianças, filhos de membros da Comunidade Evangélica Luterana de Curitiba, entidade do Colégio MARTINUS, remontam ao ano de 1866, quando o Pastor Johann Friedrich Gaertener criou a "Gemeinde Schule" (Escola da Comunidade).
Em 1884 esta Escola foi transformada em uma sociedade escolar, a Escola Alemã, porém, mantida ainda pela Comunidade Evangélica Luterana de Curitiba, até 1898.
Em 1917 a Escola Alemã passou a chamar-se Colégio Progresso, o qual iniciou, em 1933, o funcionamento do curso ginasial, sendo a primeira Escola Alemã no Brasil a conseguir tal autorização do Governo Federal.
Em 1943 dissolveu-se a sociedade do Colégio, passando seu patrimônio à Faculdade de Medicina do Paraná, que o manteve em funcionamento até 1949. As atividades escolares da Comunidade Evangélica Luterana de Curitiba, interrompidas em 1898, tiveram reinício em 1914 com o funcionamento de um Jardim de Infância junto à Igreja da Rua Inácio Lustosa, o qual passou, em 1953, à jurisdição da Escola Evangélica de Curitiba, depois transformada em curso primário do Colégio MARTINUS.
Igreja do Cristo Redentor em 1915



Pastor Heinz Soboll

No terreno atual Colégio MARTINUS a Comunidade fez funcionar mais um Jardim de Infância, em 1928, o qual, no entanto, cessou suas atividades no início da 2ª Guerra Mundial, em agosto de 1940, esse Jardim de Infância reiniciou suas atividades, sob a iniciativa do Pastor Heinz Soboll.

Sob a direção do mesmo Pastor, iniciaram-se, a 2 de fevereiro de 1948, as atividades do Curso Primário, com denominação de Escola Evangélica de Curitiba, e, em 1952, as do Curso científico, constituindo-se o Colégio MARTINUS.





Colégio Progresso, localiza-se
onde é hoje a Praça 19 de Dezembro

Em 1980, passa a funcionar o Colégio MARTINUS Subsede, no bairro Portão, qual iniciou as suas atividades nas dependências da Comunidade Nova Esperança. Em 1991 inaugurou suas novas instalações, as quais foram ampliadas em 1999.

Em 1998 foi criado o instituto MARTINUS de Educação e Cultura, dando início ao Ensino superior, através das Faculdades Luteranas.



Algumas curiosidades:

- Ao lado da praça 19 de dezembro,com a frente para a rua barão do serro azul,dando fundos para a rua riachuelo para a Rua Riachuelo, ficava a Escola Alemã/Colégio Progresso, popularmente conhecida como Deutsche Schule e considerada, no decênio de 1930, a mais antiga escola de Curitiba.

- Na escola alemã era tudo em alemão..quando virou progreso depois da guerra ..ja se utilizou a língua portuguesa

- Oito anos ofertados pela Escola Alemã correspondiam a uma escola média na Alemanha e nem todas as séries eram reconhecidas pela legislação brasileira, mas tão somente os quatro primeiros anos, correspondentes ao "ensino primário", atualmente as quatro primeiras séries do ensino fundamental. Quem cursasse as outras quatro séries, durante o período da manhã, não teria o direito de obter um diploma de conclusão do "curso ginasial", - ou seja, as atuais 5ª a 8ª séries - teria de fazer o exame preparatório, no caso de aprovação, poderia ingressar no curso ginasial autorizado pelo Governo Federal. Aquele que a documentação se referia como "o curso ginasial do Colégio Progresso", também era mantido pela mesma Sociedade Escolar, funcionava no mesmo local, em horário diferente, e o ensino era todo ministrado no idioma pátrio, o português.

- Deutsche Schule(escola alemã) - quando se referia ao período matutino, e chamada de ginásio, quando se tratava do período vespertino.

- Livros das séries iniciais da Escola Alemã eram impressos em alemão gótico

- Na Curitiba da década de 1930, meninos e meninas de ascendência germânica, em sua maioria, eram matriculados nas escolas particulares fundadas por indivíduos pertencentes à chamada colônia alemã, escolhidas por seus pais segundo as confissões religiosas a que pertenciam. Os evangélico-luteranos davam preferência ao ensino ofertado pela Escola Alemã/Colégio Progresso, a qual muitos haviam freqüentado, bem como alguns de seus pais e, quiçá, seus avós.

-A escola possuia aula aos sábados,aulas ministradas das 8:00 ao 12:00,mesmo horário da semana

- Alguns professores:

Diretor -Prof. Scheil
Ciências - Prof. Stölzer
Trabalhos Manuais - Profª. Rieckes
Português - Profª. Florentina Macedo
Música - Prof. Staude

- Sócios fundadores: Augusto Gaertner, Gottfried Mettler, Eduardo Senff,Paulo Issberner, Franz Jonhscher, Emil Prohmann, W Escholz, Gustavo Tenius,Gottlieb Muller, P. Boecker.

- Na década de 1930, o edifício possuía dois pavimentos e um amplo sótão,dando a impressão de um terceiro piso, numa observação menos atenta. Todas as paredes externas receberam frisos horizontais contornando o perímetro da construção. As seis janelas do segundo piso tinham as padieiras retas guarnecidas de cornijas curvas, as do térreo eram em volta batida, emolduradas por cornijas retas. As paredes laterais, mais estreitas, eram recortadas por quatro janelas em cada piso e terminavam em um frontão com três janelas sem adornos.

O acesso à entrada principal era feito pela Rua Barão do Serro Azul. Subiam-se sete degraus e alcançava-se o alpendre cujos pilares recebiam os esforços solicitados pela sacada existente no segundo patamar. Sobre esta, uma mansarda cuja janela também proporcionava a entrada de luz e ar para o sótão. Em frente ao prédio, a escada e os espaços livres do jardim acolhiam os alunos e os visitantes.

Na parte lateral norte, voltada para a Rua Inácio Lustosa, ficavam os sanitários femininos e, no lado sul, junto à Praça Dezenove de Dezembro, os masculinos. Deste lado, ao longo do tempo, foram colocadas algumas barras paralelas para as práticas de ginástica masculina e foi construída uma área coberta.Nos fundos, com vistas para a Rua Riachuelo, havia um pequeno portão utilizado pelos alunos.

As salas de aula, em número de oito, eram divididas entre os dois pavimentos e suas amplas janelas forneciam a rápida circulação do ar, conforme as prescrições higienistas. À frente, o quadro-negro e a mesa do professor sobre o estrado -símbolo da autoridade - e, em oposição a este ficavam os alunos, como espectadores passivos. As carteiras, duplas e fixas, possuíam em seu tampo um orifício especial para o tinteiro e uma caneleta onde pousava a caneta de pena chanfrada. Objetivando civilizar e moralizar, dentro das salas, cada um ocupava seu lugar, geralmente determinado pelo professor regente, evitando deslocamentos e propiciando a concentração. Considerada mista nas estatísticas, por aceitar alunos dos dois gêneros, sua proposta era a de co-educação, mas dividia seu espaço, interna e externamente, impedindo que meninos e meninas sentassem juntos nas salas de aula ou participassem de brincadeiras conjuntas, à hora do recreio.

Os rearranjos do espaço interno ocorriam em resposta às necessidades. A construção de uma nova sede fazia parte dos planos da escola, suas condições financeiras, porém, não haviam permitido a concretização do empreendimento. A solução encontrada foi alugar uma edificação localizada defronte ao colégio, do outro lado da Rua Barão do Serro Azul, no ano de 1936. O prédio também não mais existe e sua localização/ocupação é indicada pelos ex-alunos: "vindo do Centro Cívico, atravessando a Inácio Lustosa, duas casas depois."

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